
Atualmente, é permitido um teto de 154 voos semanais operados por empresas brasileiras, e 154 por empresas americanas. Esse número é definido por meio de um acordo bilateral entre os dois países. A partir do ano que vem, será permitido um acréscimo de 28 voos semanais para empresas brasileiras – 14 com destino ao Rio de Janeiro e mais 14 para outra cidade brasileira (menos São Paulo, vetado pela Anac por falta de infraestrutura) – e o mesmo número para as americanas. Esse acordo realizado pela Anac mostra, mais uma vez, o desrespeito com os trabalhadores brasileiros, usuários e empresários do setor e demais segmentos da aviação. O SNA está constantemente apontando os riscos das iniciativas da direção da Anac e há algum tempo vem denunciando a Agência por descumprir a Política Nacional de Aviação Civil (PNAC), assinada pelo presidente da República em fevereiro de 2009.
Recentemente, o SNA e o Snea enfrentaram, inclusive junto ao Judiciário, até as últimas consequências, a forma de discussão e o prazo de implantação da política de liberdade tarifária para os Estados Unidos e Europa. Mas a Anac engana, faz discurso junto à imprensa e aos usuários e demais membros do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) ao afirmar que somente com a liberdade tarifária os preços das passagens seriam reduzidos, dando mais opções aos usuários.

Por outro lado, as mesmas empresas brasileiras que se sentem prejudicadas nos acordos com Estados Unidos e Europa, há menos de 30 dias, em encontro chamado CLAC – no qual, inclusive, o Brasil foi indicado para assumir a vice presidência da Comissão Latino Americana de Aviação Civil (Clac) – defenderam e apoiaram a abertura de céus para a América Latina. Na ocasião, vários países como Venezuela, Argentina e Cuba foram contra a proposta do Brasil.
As empresas brasileiras estão jogando em vários campos diante das grandes transformações do setor. Não podemos nos iludir e precisamos estar preparados. Caso contrário, teriam ocupado todos os espaços deixados pela Varig, Vasp e Transbrasil no mercado internacional, o que nos leva a concluir que os atuais empresários estão unicamente preocupados com o negócio e o resultado financeiro. Apesar da possibilidade de criação de uma secretaria especial, ligada à presidência da República, para cuidar da infraestrutura dos aeroportos e da aviação civil, esperamos que o assunto passe a ser tratado com mais cuidado e perseverança, para evitar um mal maior, além de criar regras no sentido da preservação dos empregos brasileiros.
A continuidade dos acordos bilaterais de políticas de céus abertos com o países da América do Sul foi aprovada na segunda-feira (06/12) pelo Conac. O fim do acordo bilateral com os Estados Unidos é previsto para 2015, o do Mercado Comum Europeu está em véspera de ser assinado, o da América Latina depende das decisões de alguns países. Algo precisa ser feito! Só depende das discussões, vontade e mobilizações dos aeronautas e aeroviários.
Fonte: SNA
Foto: Frederico Cavalcante, Allan Martins Antunes
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